Vislumbres | Traços| Sombras

O papel aceita tudo - o papel aceita tudo?

Júlia Mistro Rodrigues

2025

Diante da experiência de uma impressora ter mastigado uma de minhas fotografias, tomei a liberdade de colocar um ponto de interrogação ao final da conhecida afirmação de que “o papel aceita tudo”. Ao fazê-lo, buscando não abrir mão do potencial pedagógico da afirmação, houve um importante deslocamento: ao invés da dificuldade paralisante se fechar em problemas individuais, emerge a possibilidade de perceber as relações que constituem nossa produção. Para isso, lanço mão de algumas ideias de Barthes, Haraway e Strathern sobre algumas negociações que precisamos fazer quando o assunto é imaginação, desenho e realidade (e ficção). Um pouco apressada, caso se queira saber desde já: se a busca for por fruição, por dispensar um dizer-por-dizer e preferir dizer o que se tem a dizer… não, o papel não aceita tudo – é preciso negociar. 

 

Palavras-chave: desenho, conexão, fruição.