Imagens-memórias e afetos em movimento: cotas trans na Unicamp como fabulação política e estética
Solluá Borges Ramires de Souza
Guilherme Rezende Landim
2025
A proposta parte da experiência das cotas trans na Unicamp como acontecimento político, estético e afetivo que ultrapassa a dimensão normativa da inclusão e instaura novos modos de existência, produção de conhecimento e de convivência na universidade. Entre imagens-memórias, recompomos fragmentos de luta, narrativas e presenças que inscrevem a legitimidade da vida trans nos espaços acadêmicos, ao mesmo tempo em que tensionam os modos institucionais de lembrar e legitimar. Nesse processo, as revoluções moleculares operam em escalas micropolíticas, alterando práticas institucionais, sociabilidades e sensibilidades, abrindo brechas para epistemologias e estéticas dissidentes e insurgentes. As transmutações afetivas, por sua vez, revelam vínculos e redes de cuidado que se consolidam como engrenagens epistemológicas, deslocando ideais de neutralidade e instaurando uma ciência comprometida com corpos, vozes e afetos dissidentes. Propomos um ensaio poético-visual em bricolagem, articulando frames digitais, técnicas de transmutação visual e tecnologias sociais criadas em ateliês e coletivos trans. O trabalho fabula com imagens, memórias e gestos para evidenciar como as cotas trans constituem não apenas um marco histórico, mas um processo contínuo de reinvenção política, estética e afetiva, tensionando limites institucionais e ampliando o imaginário sobre quem pode habitar, narrar e transformar a universidade.
Campinas – São Paulo, 2025
Imagem 1 – Narrando afetos e memórias
Imagem 2 – “Quando venho de Luanda, eu não venho só”
Imagem 3 – Virada Transcultural
Imagem 4 – Travesti no comando da Nação
Imagem 5 – Silêncio que agora a travesti preta vai falar. Vocês vão ter que me escutar!
Imagem 5 – Transmutação visual
Imagem 7 – E a senhora tá belíssima
Imagem 8 – No pulmão já não cabem silêncios
Imagem 9 – O afeto como dispositivo político
Imagem 10 – Revoluções moleculares para produções de novas subjetividades
Imagem 11 – E viva o silicone!
Imagem 12 – Celebrar o que está além da vida
Imagem 13 – O afeto como força produtiva
Imagem 14 – “A gente quer uma universidade, um mundo em que a vida seja prioridade, não o lucro” (Carolina Iara)