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Posta-restante

Nos encontros do LA’GRIMA compartilhamos impressões por meio de diferentes grafias. Essas impressões se combinam, originando os trabalhos apresentados nesta plataforma. Entretanto, nem sempre sabemos o que fazer com um desenho, uma poesia, um relato, uma aquarela ou uma fotografia. Sabemos apenas que não queremos esquecer essas impressões, como se elas pudessem voltar à vida em nova companhia, de forma inesperada. Esta posta-restante guarda nossas coisas para futuras combinações, como uma gaveta em que se acham fotografias sortidas, picotes de jornal, entradas de cinema, brincos sem par, botões e cartões postais tão antigos quanto o tempo. Aqui, as coisas repousam à espera de uma leitura atenta, um olhar generoso e um convite para novas conexões, composições, montagens e colagens.

A posta-restante do LA’GRIMA é um espaço de inspiração para nossos visitantes fazerem suas grafias conosco. Todo o material depositado aqui pode ser usado pelo público, bastando contactar os seus autores.

Linha e Cor 

Jéssica Nunes

2024

“Assim, como a planta cresce a partir de sua semente, a linha cresce a partir de um ponto que foi posto em movimento.” (Ingold, 2012, p.26)

 
Linhas de vida, pontos de fuga. Como registrar a experiência vivida quando ela excede os limites do texto? Em Linha e cor (2023), o percurso etnográfico usual é representado do modo como a antropóloga o vê e sente: uma aquarela de linhas entrelaçadas mais ou menos intensas, formando espirais, pontos de partida e chegada. As margens são uma tela, as linhas são infindas, diferente do seu registro – este, é sempre contingente. A ideia que daí emerge é colorida, dela irá nascer o texto. A criação dessa imagem forma parte de uma experimentação em desenho e antropologia. Trata-se de uma reflexão produzida em aquarela e gis pastel, cuja forma final, assim como o processo de sua concepção, remetem à sinuosidade, ao movimento e mesmo à inconstância que formam parte do trabalho de campo. Inspirada pelas linhas ingoldianas, pode também ser lida como um convite à expansão das formas de inscrição da experiência etnográfica.

Diário do Cotidiano/Sketchbook de possíveis…

Antonio Ariclenes Cassiano da Costa

Diário gráfico com desenho realizado no Observatório UNICAMP, nesta página específica está o registro de uma árvore em um fim de tarde. Dia quente, carregava comigo uma garrafa de água, na ânsia por toma-la acabei por deixar cair um pouco sobre as páginas do caderno, criou-se um efeito de desbotamento, tal qual a efemeridade de um dia. Os registros feitos nele revelam bem mais o que meus olhos viram neste lugar, demonstram as sensações. E assim o cotidiano me atravessa enquanto fonte de inspiração criativa.

Desenho à espera de uma história

Aina Azevedo 

2020

Desenho feito a partir de uma das salas de cinema do Lá’grima – “Afrofuturismo em curtas” – quando assistimos e discutimos os seguintes filmes: Oyá: a ascenção dos superorixás de Nosa Igbinedion, Robôs de Brixton de Kibwe Tavares, Pumzi de Wanuri Kahiu e Afronauts de Nuotama Bodomo. O desenho, inspirado em outras vidas, aguarda o contar de sua própria história.

Paisagem mental

Clarissa Reche 

2021

Montagem digital a partir de fotografia anônima, feita em aplicativos de edição de imagens para sistema operacional Android. Paisagem mental criada a partir da leitura do conto “2320 – Dormio”, narrativa pós-pandêmica desenvolvida coletivamente pelo LABIRINTO e disponível no dossiê “Epidemiologias” da revista Climacom. 

Aterrisagem

Aina Azevedo

 

Este desenho foi feito em 2021, durante as oficinas do Labareda (Laboratório de desenho e antropologia), quando experimentávamos a técnica de transposição de imagens com papel vegetal. Originalmente, o desenho Aterrisagem foi feito em 2010 na África do Sul e o desenho de mesmo nome apresentado aqui é uma cópia feita à mão do anterior. É um novo desenho, no qual o fundo está em branco, sugerindo que a viajante possa experimentar outras paisagens.